Preço do leite ao produtor sobe em março
O mercado de leite registrou nova alta nos preços pagos ao produtor em março de 2026, refletindo um cenário de oferta mais restrita e competição mais acirrada entre laticínios pela matéria-prima. Levantamento do Cepea, ligado à Esalq/USP, aponta que o valor médio nacional avançou 10,5% na comparação com fevereiro, mantendo a trajetória de recuperação iniciada no começo do ano.
Com o resultado, a chamada “Média Brasil” atingiu R$ 2,39 por litro. Apesar da reação recente, o patamar ainda permanece abaixo do observado no mesmo período de 2025 quando ajustado pela inflação, indicando que o setor ainda enfrenta recomposição após um ano anterior de margens mais pressionadas.
No acumulado do primeiro trimestre, o movimento de alta também se consolida, com valorização próxima de 18% frente ao início do ano. Esse avanço ocorre em paralelo à redução na captação de leite, que segue em queda. Dados do próprio Cepea mostram recuo tanto na comparação mensal quanto no acumulado do trimestre, evidenciando menor disponibilidade de matéria-prima no campo.

A redução da oferta está ligada a fatores sazonais, como a menor qualidade das pastagens neste período, e ao aumento dos custos de produção, que têm exigido mais investimento em nutrição do rebanho. Além disso, muitos produtores adotaram uma postura mais cautelosa após um 2025 marcado por rentabilidade mais apertada, o que também contribuiu para limitar a expansão da produção.
Do lado da indústria, a menor disponibilidade de leite cru impactou diretamente a fabricação de derivados, sustentando a valorização de produtos como leite UHT e queijos ao longo de março. Ainda assim, o ritmo de alta começou a perder força na segunda metade de abril, com sinais de resistência do consumo diante de preços mais elevados no varejo.
Outro fator de atenção no mercado é o avanço das importações. As compras externas cresceram de forma relevante no período e seguem como variável importante na formação de preços, especialmente em um cenário em que a produção doméstica pode reagir nos próximos meses.
A expectativa no setor é de que o movimento de valorização ainda se estenda no curto prazo, mas com menor intensidade a partir de maio, à medida que consumo, importações e possível recuperação da oferta passem a equilibrar o mercado.
Fonte: Cepea
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