Escalas de abate curtas impulsionam preços do boi gordo neste início de 2026
O mercado do boi gordo inicia o ano de 2026 com um fôlego surpreendente, contrariando a tendência sazonal de desaquecimento comum ao mês de janeiro. De acordo com levantamentos recentes do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada/Esalq), os preços da arroba e da carne bovina no atacado têm operado com firmeza. Esse suporte é sustentado, principalmente, pelo encurtamento das escalas de abate em nível nacional, que atingiram a média de 7,8 dias na parcial deste mês, o menor patamar para um mês de janeiro desde 2021.

Este cenário de escalas "apertadas" é um reflexo direto de uma estratégia cautelosa do pecuarista e de uma demanda que permanece resiliente. Com as boas condições das pastagens neste período, muitos produtores têm optado por reter os animais no campo, aproveitando o ganho de peso a pasto para aguardar melhores oportunidades de negociação. Essa restrição na oferta de animais prontos para o abate coloca as indústrias em uma posição de maior disputa pela matéria-prima, especialmente para atender aos compromissos de exportação e ao consumo interno que, apesar das férias escolares, segue aquecido.
Em termos de valores, a força do setor se traduz em números expressivos. O Indicador do Boi Gordo CEPEA/ESALQ tem se mantido consolidado na casa dos R$ 319,00, enquanto no atacado da Grande São Paulo, a carcaça casada registra média próxima a R$ 23,00/kg. A mudança drástica em relação a dezembro de 2025, quando as escalas superavam os 14 dias, sinaliza uma inversão no poder de barganha, colocando o produtor em uma posição mais favorável neste primeiro trimestre e consolidando um viés de estabilidade com tendência de alta para o curto prazo.
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